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USP protagoniza enfrentamento da Covid-19

Laboratório da instituição realiza sondagem em âmbito nacional e oferece apoio on-line gratuito

A instalação rápida e inesperada da pandemia da Covid-19, a partir de fevereiro de 2020, alterou profundamente o andamento das atividades e da vida das pessoas, no mundo todo. Dados científicos insuficientes diante da epidemia inédita, desencontro de informações, insegurança, medo do desconhecido e da morte permearam (e ainda permeiam) as preocupações da humanidade, em maior ou menor grau.

O alastramento desconcertante do coronavírus, numa rota sinistra do Oriente para o Ocidente, encontrou países e povos nos mais diversos estágios de desenvolvimento. E desde o início, o mantra ‘fique em casa’ sintetizou a necessidade do isolamento social severo e disciplinado. Antes de debelar os estragos sem precedentes na economia, todo o esforço para preservar a vida das pessoas.

No Brasil, antes mesmo das medidas oficiais adotadas, a ADVB se pautou pelo bom senso e buscou mitigar o impacto do evento. Em home office, valendo-se dos meios digitais, a direção da entidade aderiu às lives e demais formas de comunicação on-line. Entre outras ações, criou e lançou o Projeto aMEI, plataforma digital dedicada a socorrer os pequenos e micro empresários, em especial o micro empreendedor individual. Catalisou reflexões e alimentou as pautas do ADVB News para compartilhar com a comunidade associada.

Saúde física e mental

Corpo e mente, desde sempre, são instâncias inseparáveis. Os efeitos da Covid-19, associados à necessidade de isolamento social, em pouco tempo alcançaram o comportamento das pessoas. As relações familiares, com a mudança brusca de rotina, ganharam novos contornos. Crianças, adolescentes e adultos passaram a reinventar o modo de se cuidar. Irritação, angústia, ansiedade e medo estão entre as manifestações comuns. A expectativa por um novo normal ganhou corpo. E firmou-se a consciência de que o mundo, definitivamente, não será mais o mesmo.

O Estado de São Paulo, a despeito de ser o mais rico e desenvolvido do país, não pôde evitar a perda de milhares de vidas. Nem conter, pelos meios disponíveis, o avanço da contaminação. Mesmo assim, não tivesse adotado medidas sanitárias nem sempre compreendidas e aceitas pela população, o desastre seria muito mais catastrófico. Toda a comunidade médica, paramédica e de profissionais dedicados à saúde lutou (e ainda luta) bravamente, muitas vezes colocando em risco a própria vida.

Nesse contexto, ganhou relevância a iniciativa de um grupo de psicólogos referenciados pelo laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica da USP. Sob coordenação da professora, doutora e livre docente da instituição, Leila Salomão Tardivo, foi criado o Projeto Apoiar (apoiar@usp.br). Objetivo: ajudar a comunidade, por meio de consultas on-line, a superar esse período crucial. Até meados de junho, foram registrados 407 atendimentos.

No dia 18 de junho, em matéria da Rede Globo de Televisão, sob o título “As 4 ondas da pandemia”, a especialista Leila Tardivo manifestou-se sobre a 4ª onda, que envolve o reflexo do sofrimento causado pelo isolamento, medo da doença e do luto. Segundo ela, 88% dos profissionais de saúde mental perceberam o agravamento de pacientes estáveis. E que 67% dos psiquiatras foram procurados por novos pacientes, nesse período.

Sondagem on-line

A equipe do “Apoiar’, formada por Leila Salomão Tardivo; Helena Rinaldi Rosa e Rita de Cássia de Souza Sá, formularam e aplicaram questionário denominado “Sentimentos e atitudes no isolamento social em período da pandemia por coronavírus”. Contemplou três públicos distintos e foi respondido por 974 adolescentes; 621 homens e 5.370 mulheres. O resultado alcançou até o dia 19 de maio, embora o questionário ainda esteja aberto para mais participantes responderem.

Adolescentes

Em relação aos dados demográficos e identificação da amostra, atingiu-se 16 estados da Federação, com 67% dos respondentes localizados no estado de São Paulo. Predominou o sexo feminino (67,3%), de adolescentes na faixa etária entre 14 e 16 anos (50,7%). Sobre o isolamento social, 82,7% consideraram a medida necessária, uma vez que o adolescente é vetor sério de transmissão.

Sobre o impacto da convivência familiar no confinamento, a maioria (42,7%) afirma estar em harmonia. Porém, identificou-se uma parcela significativa que alega alguns na convivência familiar (12%).Outra parcela afirma que muitos conflitos surgiram devido a proximidade oriunda do distanciamento (4,4%).

Sobre a vida escolar a distância e uso da internet, o tipo de escola dos participantes apresentou-se equilibrado – 50,1% estudam em escola particular e 49,9% em escola pública. Das atividades escolares a distância e de como o adolescente tem lidado com esta nova realidade educacional, grande parte (78,7%) está conseguindo fazer as atividades escolares utilizando a internet.

Quanto aos sentimentos que foram sugeridos em associação ao distanciamento, o resultado ficou assim: irritação (17,6%) e solidão (17,1%) foram os principais entre os adolescentes participantes; seguidos de tristeza (15,8%) e medo (12,2%). O sentimento de esperança (7,9%) apareceu após, e depois, solidariedade (5,8%). O otimismo (3,4%) e a raiva (3,3%) vieram a seguir. E, 60,% dos adolescentes dizem que tais sentimentos estão associados à pandemia de Corona vírus.

Sobre acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, a grande parte dos adolescentes da amostra nunca teve acesso à ajuda psicológica ou psiquiátrica (77,6%), mas, boa parte dos participantes gostaria de receber tal ajuda (34,2%). A maioria acredita que sua vida mudará após a pandemia de COVID-19 (77,8%).

Homens

O questionário foi respondido por 621 homens com mais de 18 anos e os principais resultados são apresentados em gráficos e tabelas. A idade dos participantes distribuiu-se entre 21 e 30 anos, seguido de perto das faixas etárias 41 a 50 anos, 31 a 40 anos, e 51 a 59 anos. Este grupo tem em sua maioria nível superior de escolaridade, e exerce atividade remunerada ou voluntária, e a maioria não está aposentada.

Mais da metade tem filhos, predominantemente acima de 18 anos A grande maioria não tem netos. Quanto ao isolamento social, a maioria absoluta concorda com a medida, e um número muito menor concorda parcialmente; e há poucas respostas contra a medida de proteção e ainda menos as que afirmaram ser indiferente à questão.

A maior parte das participantes está em home office e considera estar usando as redes sociais bem mais do que antes. No isolamento, a grande maioria dos homens afirma estar desempenhando muitas atividades domésticas, como cozinhar, limpar a casa, lavar e passar a roupa. Em seguida vem a leitura, atividades de lazer. Brincar e ajudar os filhos nas atividades escolares surgem em menor intensidade.

Menos da metade dos homens considera que o isolamento contribui para a aproximação familiar. Outra parte afirma estar com os conflitos que já existiam antes da pandemia, seguida de alguns que consideram estar com alguns conflitos que se dão ou pioraram pela proximidade diária do isolamento.

A maioria absoluta dos participantes afirma ter sentimentos que não tinha antes da pandemia, predominando o medo (49,4%), seguido de irritação (43,10%), solidariedade, tristeza, sobrecarga, esperança, solidão e ansiedade; e ainda a maioria absoluta os associa diretamente à pandemia.

Sobre os participantes que faziam atendimento psicológico antes da pandemia, a maioria suspendeu nesse período, seguidos daqueles que conseguiram mantê-lo durante a pandemia on-line. A maior parte dos participantes afirmou que manteve o atendimento psicológico on line (se fazia antes), se dividiram em afirmar que poderiam pedir ajuda psicológica, não pediriam e talvez pudesse pedir.

Finalmente a maioria absoluta (quase a totalidade) afirma considerar que a pandemia vai mudar sua vida de alguma maneira.

Mulheres

O questionário foi respondido por 5.370 mulheres e os principais resultados são apresentados, em gráficos e tabelas. A idade das mulheres se distribui em 31 a 40 anos, seguido de perto das faixas etárias 41 a 50 anos, 21 a 30 anos, e 51 a 59 anos. Este grupo tem em sua maioria nível superior de escolaridade, e exerce atividade remunerada ou voluntária, e a maioria não está aposentada.

Mais da metade tem filhos, sendo que pouco mais da metade tem 2 a 3 filhos e em seguida 1 filho. As idades dos filhos são acima de 18 anos e a grande maioria não tem netos.

Quanto ao isolamento social, a maioria absoluta concorda com a medida. A maior parte das participantes está em home office e considera usar as redes sociais bem mais neste período do que antes. No isolamento, a grande maioria das mulheres afirma estar desempenhando muitas atividades domésticas, como cozinhar, limpar a casa, lavar e passar a roupa. Em seguida, vêm as atividades de lazer, brincar e ajudar os filhos nas atividades escolares. O sentimento que prevalece entre as mulheres é o medo (63,5%).

As participantes, na maioria, consideram estar harmonia com a família. Quanto ao sono, mais da metade das participantes alega sentir mudança no sono durante este período. Também mais da metade das participantes afirma que fazia atividades físicas antes da pandemia, porém, não mantém a mesma frequência durante o período.

As participantes que faziam atendimento psicológico antes da pandemia se distribuem de forma equilibrada entre mantê-lo durante a pandemia on line ou tê-lo suspendido. Metade das participantes afirma que conversar com psicólogo poderia ajudar neste momento e a outra metade se divide em considerar que talvez ajudasse ou não.

Finalmente, a maioria absoluta (quase a totalidade) afirma considerar que a pandemia vai mudar sua vida, de alguma forma.

O APOIAR ONLINE, abrigado no Laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica Social, atende gratuitamente pessoas que sintam dificuldades mais intensas, como sentimentos de solidão, tristeza, abatimento, que podem ser identificados como depressão. Os atendimentos são realizados (online) por vídeo chamadas, Skype ou outro aplicativo e os contatos são feitos pelos terapeutas que marcam a 1ª consulta de acordo com sua disponibilidade. Mais informações podem ser obtidas por e-mail: apoiar@usp.br

Das 634 pessoas atendidas de 2 de abril a 6 de julho de 2020, 410 são residentes no Estado de São Paulo.

Confira no botão abaixo, um papo de muito aprendizado com a Dra. Leila Tardivo e Izabella Camargo sobre a 4ª onda da pandemia.

Sobre a ADVB – Em 2020, a ADVB® completa 64 anos e é uma referência para a gestão empresarial no país, ao oferecer opções ricas e diversas para o relacionamento e aperfeiçoamento profissional de quem atua nas áreas de vendas e marketing e na direção das empresas. Cursos, palestras, fóruns, debates e eventos de premiação reúnem personalidades públicas e do mundo corporativo, propiciando ferramentas que auxiliam no desenvolvimento de estratégias de gestão das organizações.

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