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Economia criativa digital

por Denise Zerbeto

-Mãe, por que este lugar é tão frio? O ar condicionado está muito forte…

-Mãe, por que o balcão de atendimento é tão alto e os sofás são tão baixos?

-Mãe, por que não tem nenhuma parede colorida? Nenhum quadro?

-Nossa, as pessoas aqui não falam nada…parecem tristes… isso aqui tá pior que velório…

-A gente não vai ter que voltar aqui de novo né mãe?

Maria Eduarda (Dudalinda), minha filha, 8 anos. (futura consumidora)

Algum tempo depois destas perguntas, com 70 minutos de atraso (havíamos chegado com quinze minutos de antecedência conforme recomendação reforçada enfaticamente pela atendente) fomos chamadas. Um prédio com pé direito digno de catedral e estrategicamente preparado para coibir emoções, aquelas que afloram quando você é cliente e se sente desrespeitado, bem como provocar sensação de inferioridade, pequenez, fraqueza.

Veja leitor(a) estávamos ali na condição de clientes, de um serviço NADA BARATO. A todo momento meus filhos pediam para ir embora e eu, pedia paciência enquanto na verdade queria sair correndo dali.

Mas o que esse depoimento tem a ver com Economia Criativa Digital? Tem tudo e não só com isso, mas com o prazo de validade de muitas empresas parecidas com esta.

Pense comigo, se uma empresa oferece a experiência de consumo que relatei acima, será que na visão dela está precisando reter algum cliente? E, vamos além no raciocínio, se este depoimento é atual num país em crise como nosso, será que este segmento é pouco ou muito lucrativo? Obviamente que muito! Agora veja, se você fosse um jovem brilhante, ávido por tornar-se um milionário antes dos trinta anos e tivesse todos os recursos disponíveis, qual tipo de segmento você iria “atacar” desenvolvendo e oferecendo soluções alternativas? Os pouco ou muito lucrativos?

Dia destes tive a felicidade de assistir uma palestra de um Mestre da Unicamp, que apresentou uma solução utilizando BIG DATA aplicada à área de logística. Fiquei absolutamente maravilhada….eu que vivi dez anos dentro de uma empresa de tecnologia, confesso ter ficado de queixo caído e muito feliz em ver o tamanho do potencial disso tudo.

A economia criativa pressupõe capital intelectual que gera renda, lucro. Mas pra você empresário tirar proveito disso, vai ter que levantar-se dos louros que colheu e repensar o seu negócio, antes que ele seja atropelado sem você perceber.

A Economia Criativa chegou pra ficar. E a sua empresa? Será que vai “ficar” também?

Ou será que a Maria Eduarda vai crescer e virar a “nerd” que vai oferecer o mesmo serviço que ela tanto detestou, pela internet?

Denise Zerbeto, presidente da MOVAZ e associada da ADVB Mulher.
denise@movaz.com.br

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