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Saiu na Mídia – Empresários Brasileiros no Mundo

A história do capitalismo brasileiro

Resenha sobre o Livro Empresários Brasileiros, publicada no mundo:

Pravda, de Moscou (edições impressa e digital).

port.pravda.ru/busines/23-04-2016/40829-capitalismo_brasileiro-0

Site Das Letras (Portugal).

www.dasletras.com/curtas-e-eventos/a-historia-do-capitalismo-brasileiro-adelto-goncalves/#sthash.xhHTzRiw.dpuf

Site Baía Lusófana (Portugal).

http://baiadalusofonia.blogspot.com.br/2016/04/a-historia-do-capitalismo-brasileiro.html

Site da revista eletrônica www.triplov.com Portugal

http://www.triplov.com/letras/adelto_goncalves/2016/capitalismo-brasileiro/index.htm

Revista Portuária de Economia e Negócios (Sta Catarina)

www.revistaportuaria.com.br/colunas/1457

 

A história do capitalismo brasileiro

Por Adelto Gonçalves

Composto pelas histórias pessoais e empresarias de cinquenta e um empreendedores em atividade entre os anos de 1962 e 2013, o livro “Empresários Brasileiros” ajuda a compreender a construção do capitalismo no Brasil.

Escrita pelo administrador, empresário e poeta Latif Abrão Jr. e pelo jornalista e escritor Marcos Barrero, a obra reúne biografias de líderes empresariais que, ao longo daquele período, conquistaram o título de Personalidade Nacional de Vendas, instituído pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).

Ao mesmo tempo, marca não só a contribuição da ADVB para a sociedade brasileira em seus quase 60 anos de existência, bem como reconstitui a história do empreendedorismo, a saga do comércio e da indústria do Brasil.

Obviamente, o leitor arguto poderá ir desconfiado ao encontro deste livro, imaginando que terá pela frente uma obra encomiástica, tal como aquelas que empresas e entidades costumam fazer para comemorar datas redondas, cheias de louvações a capitalistas antigos ou a outros ainda em ação.

Mas desde logo, adverte-se aqui para o engano. Na realidade, este é um livro surpreendente da primeira à última linha porque as histórias aqui resgatadas são apresentadas sem nenhuma complacência com seus personagens, mas atreladas apenas à verdade dos fatos.

Mais: foram escritas ao estilo do new journalism norte-americano de Trumam Capote (1924-1984), Gay Talese (1932), Norman Mailer (1923-2007) e Tom Wolfe (1931), levando o leitor a uma viagem pelo Brasil que trabalha e constrói. Até porque um de seus autores, o jornalista Marcos Barrero, é reconhecidamente dono de um dos melhores e mais brilhantes textos de sua geração.

De se observar é que, das 51 personalidades escolhidas pela ADVB, apenas uma é mulher, o que pode significar que o capitalismo brasileiro tem sido majoritariamente obra de homens, deixando concluir que o País ainda está muito distante na luta pela igualdade dos sexos.

A honrosa exceção é a empresária Sônia Hess de Souza, sexta filha de uma costureira e de um poeta que, em 1957, criaram uma firma para coser roupas. Com tenacidade e destemor para enfrentar um mundo de homens, Sônia fez da obra dos pais, a Dudalina S.A., a maior camisaria da América Latina.

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Seja como for, a leitura destes perfis ajuda também a compreender a própria história do capitalismo brasileiro que nasce, a rigor, depois da morte da Velha República em 1930, com o afastamento do poder de alguns grandes proprietários de terras, especialmente cafeicultores.

Mas foi a partir do final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que o Brasil começou a se modernizar, com a abertura de algumas indústrias, que puderam ajudar o governo a colocar em prática a política da substituição das importações.

A essa época, São Paulo já aparecia como o mais importante centro industrial da América Latina. Muitos empreendedores já eram filhos e netos de imigrantes italianos que assumiam e comandavam os negócios de seus ancestrais.

No mundo, os Estados Unidos surgiam como os líderes do bloco capitalista, aumentando sua influência sobre os vizinhos latino-americanos. O seu modelo de vida começava a chegar aos brasileiros, através das ondas do rádio, dos jornais e revistas e pelos filmes que vinham de Hollywood.

Como mostra o livro de Latif e Barrero, o principal legado do período que vai de 1945 a 1960 foi o avanço da industrialização do país. Foi a partir de 1962 que a ADVB começou a contemplar os pioneiros na produção de bens, serviços e consumo (Johnson & Johnson, Artex, Pão de Açúcar, Varig, Grupo Gerdau, Eucatex, Duratex e Wallig) e uma poderosa mídia criada para sustentar o avanço da indústria brasileira (Rede Globo, TV Record, grupo Manchete e agência Salles/Interamericana).

Sem esquecer, à época da ditadura militar (1964-1984), de destacar empresas vencedoras como Banco Bamerindus, Lojas Marisa, Supermercados Bompreço, Cofap, Fiat, TAM, Sharp e Melita. Ou ainda de homenagear empresas que, mesmo enfrentando os tempos revoltos dos anos 1990/2000, conseguiram sobreviver e crescer, como GM, Nestlé, Vale, Kia Motors, Casas Bahia, Claro, Avon, Sadia, Dudalina e o Grupo Dória.

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À frente de seus negócios, nem sempre os empreendedores foram exitosos. Quer dizer, se à época da contemplação do prêmio Personalidade Nacional de Vendas viviam o auge de sua vida empresarial, muitos tiveram de conviver mais tarde com decepções e até mesmo enfrentar os caminhos da justiça comum.

Entre as biografias daqueles que são exemplos de empreendedorismo estão: Roberto Marinho, Samuel Klein, Abílio Diniz, Mauro Salles, Roger Agnelli, Eugênio Staub, Rolim Adolfo Amaro, Luiz Fernando Furlan, Abram Abe Szajman e José Luiz Gandini, entre vários outros.

Mas há outros tantos que não tiveram tanto êxito assim, como Victor Pike, executivo norte-americano que veio para montar a divisão da Chrysler do Brasil, mas que acabaria seus dias recolhendo frutas rejeitadas nas feiras-livres do bairro do Brooklin, em São Paulo, depois de ter sido passado para trás por colegas da própria empresa.

Ou ainda o banqueiro Edemar Cid Ferreira, fundador do Banco Santos e conhecido mecenas das artes, que acabaria punido pela justiça, acusado de golpes no sistema financeiro; e Paulo Roberto de Andrade, antigo dono da Fazendas Reunidas Boi Gordo, igualmente acusado de fraudes, protagonista do maior escândalo do agronegócio no Brasil, como se lê no livro.

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Latif Abrão Jr., nascido em Franca (SP), administrador pela Fundação Getúlio Vargas e bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), é presidente da ADVB e superintendente do Instituto de Assistência Médica dos Servidores Públicos Estaduais (Iamspe).

Marcos Barrero, nascido em Assis-SP, jornalista, é escritor e professor de Jornalismo em São Paulo. Autor dos livros Assis de A a Z – a Enciclopédia do Século, Catchup, Mostarda e Calorias(poesias), História dos Campeonatos Regionais (esportes), Casa da Fazenda (co-autoria) e Dez Décadas – a História do Santos FC (co-autoria). Foi roteirista e diretor da Rede Globo e o primeiro ombudsman de rádio do mundo na Bandeirantes/AM, em 1996, conforme registra aOrganization of News Ombudsman, de San Diego/Califórnia. Atuou como professor de Jornalismo, Telejornalismo e Radiojornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, de 1990 a 2004.

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Empresários Brasileiros, de Latif Abrão Jr. e Marcos Barrero. São Paulo: L2M Comunicação/ADVB, 467 págs, 2014. E-mail: advb@advb.org

Link para comprar o livro:

https://www.advb.org/loja/livro-empresarios-brasileiros/

Site: www.advb.org

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(*) Adelto Gonçalves, jornalista,  é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros.

E-mail: marilizadelto@uol.com.br

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