MUDANÇA DE RUMO PARA COLOCAR O BRASIL NO RUMO DO CRESCIMENTO CONSISTENTE
Diante do quadro muito preocupante da nossa economia, o presidente a ser eleito vai precisar liderar uma mudança drástica no rumo da nossa economia. Se mantiver a rota atual, nossa renda per capita, que hoje é de US$ 10 mil, cairá de forma constante até 2030. Importante mencionar que o crescimento do PIB de um país é muito importante, pois, com o crescimento deste “bolo”, é que conseguiremos distribuir para mais pessoas, melhorando a péssima distribuição de renda existente hoje no Brasil.
Seguem abaixo algumas providências que o novo governo deverá adotar se quiser novamente colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento:
1 – Criar uma equipe ligada diretamente ao presidente para rever toda a estrutura de governo objetivando uma redução de custos necessários – esta equipe deverá ajudar o presidente eleito a montar uma estrutura de governo, a mais enxuta possível, premiando a eficiência administrativa.
Assim que assumir o governo, esta equipe deverá revisar a estrutura existente na gestão pública federal / estadual no sentido de eliminar imediatamente todos os organismos que não agregam valor. Neste sentido deve trabalhar com o Congresso / Assembleias, para, em termos de legislação, fazer uma atualização que permita mais eficiência, menos burocracia, menos desperdícios e custos desnecessários.
2 – Reduzir a carga tributária para toda a economia. Montar um projeto de médio prazo para reduzir nossa carga tributária hoje de 35% em relação ao PIB, para algo como 26% – esta mudança poderá levar de 5 a 10 anos, mas precisa ser feita, caso contrário o Brasil estará cada vez mais alijado da economia global, sendo cada vez mais não competitivo.
3 – Revisar imediatamente toda a política assistencialista no sentido de reduzir custos e fazer os assistencialismos, não algo eleitoreiro, mas sim, um caminho provisório para o desenvolvimento da população, transformando a população hoje assistida, em cidadãos capazes e que possam tomar as próprias decisões.
4 – Iniciar com a ajuda do Congresso o estudo e implantação de uma verdadeira política industrial no Brasil, onde seja premiado o investimento e a criação de empregos para a população brasileira. Exemplos como das empresas chinesas de veículos elétricos, devem ser totalmente eliminados (hoje há mais de 10 mil empregados chineses trabalhando no Brasil e tirando o emprego de brasileiros). Além disto estas empresas estão autorizadas a produzir tudo na China e montar o veículo no Brasil, premiando a mão de obra de fora. Os investimentos deverão ser sempre incentivados, mas, a empresa deverá produzir no Brasil e assim gerar empregos localmente.
O Brasil hoje é um grande exportador de matérias-primas e este cenário precisa mudar, incorporando a transformação das matérias-primas para depois serem exportadas (exportamos hoje o minério de ferro para a China e importamos as máquinas – isto deve acabar).
O mundo hoje mudou totalmente e, mais do que nunca, cada país deverá cuidar do seu desenvolvimento – na verdade hoje no mundo a máxima que está valendo: “cada um por si e Deus para todos”. Sem dúvida conversar com todos, mas fazer negócios sempre buscando o melhor para o Brasil.
5 – Criar um ministério da Inteligência Artificial e Tecnologia (incluindo tecnologia agrícola), buscando o melhor proveito para o Brasil em todas as áreas – tecnologia que será cada vez mais fundamental no mundo atual.
6 – A educação é fundamental para mudar a atual situação em que vivemos: aprendizado escolar muito baixo, redundando em uma mão de obra malformada/preparada. Colocar metas claras para serem atingidas na educação, para tal, precisa acabar com a cultura vigente de uma educação de assistidos para assistidos, para uma educação de meritocracia com o respeito a todos.
7 – Em trabalho conjunto com o Congresso / Assembleias, precisaremos mudar totalmente a situação do funcionalismo público em todos os poderes, mudando um funcionalismo incentivado a ser pouco agregador, para um funcionalismo avaliado sempre pela meritocracia, agregando valor para a sociedade.
8 – Em trabalho conjunto com o Congresso, mudar totalmente a legislação trabalhista do século passado, para a economia do século XXI, onde o emprego com carteira assinada praticamente vai acabar. Também aqui a legislação previdenciária deverá ser totalmente alterada, pois o que temos hoje condenará o Brasil à falência em poucos anos. O regime de previdência que hoje é de repartição simples deverá passar totalmente para o sistema de capitalização – o mundo está mudando neste sentido.
Em artigo publicado na Gazeta do Povo em 14.03.2026, pela articulista Rose Amantéa, fica clara a situação caótica da previdência – ainda bem que fizemos uma reforma possível em 2019. Outra reforma nos moldes de 2019 só postergará o problema, precisamos urgentemente mudar o regime previdenciário, para garantir renda aos aposentados, caso contrário, em poucos anos, todas as aposentadorias serão de 1 a 2 salários mínimos.
9 – Incentivar sempre a iniciativa privada, com respeito a contratos, para que possa investir com segurança, com carga tributária coerente.
Evidentemente que os pontos citados são importantes, mas todo o processo de mudança de governo é muito mais profundo e necessário, para que realmente agregue valor para a população do nosso país.
Tamanho do Congresso, das Assembleias legislativas, do Legislativo municipal, precisam sofrer um processo de redução de quadros e tornar os mesmos muito mais eficientes.
Da mesma forma o nosso judiciário, com um custo dos maiores do mundo, precisará ser totalmente reformulado e reduzido, buscando a eficiência que não há hoje. Devemos pensar em um Tribunal Federal enxuto, com somente 9 juízes, com mandato de 9 anos e membros totalmente da carreira do Judiciário. O Tribunal Federal (STF) deverá ser desassociado da estrutura jurídica que há hoje.
No caso do funcionalismo público, o mesmo também deverá ser desassociado do governo e se tornar um órgão totalmente independente, com regras claras de funcionamento e eficiência, acabando com a interferência política, tão nefasta e corrupta que temos hoje.
Prof. Roberto Vertamatti é Ph.D., professor e doutor em Administração de Empresas pela Florida Christian University. Vice-presidente de estudos da ANEFAC e sócio diretor da APUS – Business Development & Consulting. Autor do livro “Ética nas Empresas em um Mundo Globalizado”, onde trata de assuntos relacionados a ética empresarial e como essa prática pode influenciar os profissionais de uma organização.
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