Essa é uma pergunta que vem ganhando espaço — e que deveria estar no centro das discussões sobre o futuro da infraestrutura digital no país.
O avanço acelerado de tecnologias como cloud computing, inteligência artificial e digitalização de serviços vem impulsionando uma demanda sem precedentes por capacidade computacional. Os data centers deixaram de ser apenas ativos técnicos e passaram a ocupar um papel estratégico na economia.
Hoje, falar de data centers é falar de competitividade, atração de investimentos, segurança digital e desenvolvimento econômico.
O Brasil reúne condições para se posicionar de forma mais protagonista nesse cenário: matriz energética com enormes fontes renováveis, mercado consumidor robusto e crescente interesse de investidores globais.
Mas há um ponto crítico que ainda precisa evoluir: a articulação entre o setor produtivo e o ambiente institucional.
Ao conversar com empresas e operadores do setor, fica claro que a expansão dos data centers no Brasil enfrenta limitações em energia, previsibilidade regulatória e velocidade de implantação.
Esse é um tema que envolve todo o ecossistema — e entidades como ABDC – Associação Brasileira de Data Center e Brasscom têm papel importante nessa construção.
A expansão de data centers no país passa, necessariamente, por temas como disponibilidade e planejamento energético, segurança regulatória, licenciamento, infraestrutura urbana e políticas de incentivo. São temas que exigem coordenação com governo, agências reguladoras e formuladores de políticas públicas.
E aqui que surge uma lacuna.
Apesar da relevância do tema, ainda são poucos os espaços estruturados de diálogo entre quem constrói, opera e investe em infraestrutura digital e quem define as condições para que esse crescimento aconteça de forma sustentável.
É nesse contexto que nasce o 1º Fórum Brasileiro de Data Centers.
Mais do que um evento, propomos criar um ambiente qualificado de interlocução entre setor privado e poder público, conectando empresas, operadores, investidores, entidades e representantes institucionais em torno de uma agenda comum.
Uma agenda que envolve energia, planejamento, financiamento, regulação e, principalmente, visão de longo prazo para o papel do Brasil na infraestrutura digital global.
Se quisermos que o país não apenas acompanhe esse movimento, mas participe ativamente dele, será fundamental construir pontes.
O futuro dos data centers no Brasil não será definido apenas pelos avanços tecnológicos.
Será definido pela capacidade de alinhamento entre os diferentes atores desse ecossistema.
E essa conversa precisa começar agora.

Eduardo de Alcantara Machado é vice-presidente da ADVB, sócio diretor da Point Comunicação e Marketing – Parceira do IRICE – Instituto Relações Internacionais e Comércio Exterior | Organização do Fórum Brasileiro de Data Centers
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