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Entre a Obesidade e a Fome que ainda Preocupa

Por Pedro Luiz Dias 

Um paradoxo brasileiro que desafia consciência pública, ciências médicas e lideranças

Vivemos, no Brasil, um dos mais inquietantes paradoxos da contemporaneidade: ainda não fomos capazes de erradicar (totalmente) a fome – que persiste, silenciosa e renitente em diversas regiões do país – e já enfrentamos, com igual gravidade, o avanço acelerado da obesidade. Ainda que dados dos relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), reportem que houve redução na subnutrição para menos de 2,5% da população. [1]

Este artigo se insere deliberadamente no contexto brasileiro, onde desigualdades históricas, transformações no padrão alimentar e desafios estruturais criam uma realidade própria, que exige análise, sensibilidade e ação coordenada.

Dois eventos recentes reforçaram essa reflexão. A inspiradora palestra da Sra. Geyze Diniz, fundadora da OSCIP Brasil Contra a Fome, (https://pactocontrafome.org) no encontro do grupo Conselheiras, sob a liderança da Dra. Sandra Comodaro, (comunicacao@grupoconselheiras.com.br), na Arena B3, no dia 26 de março, e as preocupantes informações na “live” promovida pela ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (www.abeso.org), no dia internacional da Obesidade, que citando dados do governo brasileiro [2]  trouxeram à tona evidências científicas, relatos e análises que convergem para um mesmo ponto: estamos diante de um problema sistêmico, complexo e urgente – com características muito particulares no Brasil.

O Paradoxo da Abundância e da Escassez no Brasil

A fome, em nosso país, não desapareceu totalmente, como já frisei acima. Mas, ainda assim, ela se manifesta de forma desigual entre regiões, classes sociais e territórios – das áreas rurais mais vulneráveis às periferias urbanas densamente povoadas.

Ao mesmo tempo, a obesidade (e o sobrepeso na esteira) cresce de maneira consistente, impulsionada não apenas pelo excesso, mas pela qualidade inadequada da alimentação, marcada pelo consumo crescente de produtos ultraprocessados, pela falta de acesso a alimentos saudáveis (frutas, por exemplo) e por lacunas na educação nutricional.

Não se trata, portanto, de excesso versus falta.
No Brasil, trata-se de desigualdade estrutural, acesso e informação.

Ciências médicas, Consciência pública e Responsabilidade no Contexto Nacional

As contribuições apresentadas nos eventos são claras:

  1. A ciência brasileira e internacional já oferece caminhos consistentes para enfrentar tanto a fome quanto a obesidade.
  2. Priorizar a educação nutricional desde a infância.
  3. Importante transição nutricional que houve no Brasil nos últimos 20 anos, que passou de desnutrição para excesso de peso
  4. Reforçar políticas públicas com foco em educação nutricional
  5. Estimular campanhas, de marketing de alimentos para público infantil, com consistentes orientações científicas.
  6. Orientar para maior consumo de alimentos in natura (frutas, hortaliças e grãos).

No entanto, o desafio no Brasil está na implementação em larga escala, na continuidade de políticas públicas e na articulação entre setores.

É nesse ponto que emerge o papel relevante de instituições como a ADVB (www.advb.org.br).

Ao assumir uma postura ativa nos grandes debates de interesse público, a entidade reafirma que o marketing – quando responsável – deve estar alinhado com a realidade científica, social e econômica do país, bem como, com soluções baseadas em evidências.

O marketing responsável, no Brasil de hoje, é aquele que antecipa seus postulados e:

  • respeita a diversidade socioeconômica;
  • valoriza a informação científica comprovada;
  • dialoga com as ciências médicas (de pediatria a geriatria)
  • e contribui para escolhas mais conscientes e acessíveis.

O Papel das Lideranças no Brasil

A nova gestão da ADVB sinaliza um posicionamento claro: no Brasil, lideranças empresariais e institucionais não podem se omitir diante de temas estruturais como educação alimentar, saúde e insegurança alimentar.

Entre a fome e a obesidade (e sobrepeso), há uma agenda nacional que precisa priorizar:

  • compromisso público efetivo;
  • visão de longo prazo;
  • integração entre iniciativa privada, academia e setor público.

Mais do que nunca, comunicar bem, no Brasil, é também educar, orientar e gerar impacto social positivo.

Uma Reflexão Necessária

Ainda não resolvemos o problema da fome no Brasil.
E já estamos diante de outro – igualmente desafiador e crescente.
Essa constatação, no contexto brasileiro, não deve gerar paralisia, mas mobilização.
Porque, no fundo, não estamos falando apenas de alimentação.
Estamos falando de dignidade, saúde pública e futuro nacional.

Conclusão: Um Desafio Brasileiro, Uma Resposta Coletiva

O paradoxo entre fome e obesidade, no Brasil, não é apenas estatístico – é social, econômico e ético.
Ele nos convida a uma pergunta essencial: que país queremos construir (ou, que estamos construindo) – e qual o papel de cada liderança nessa construção?

A resposta, inevitavelmente, apela pela capacidade de unir conhecimentos, responsabilidades e ações concretas – com um olhar atento às especificidades brasileiras.

 

Pedro Luiz Dias é vice-presidente da ADVB, teólogo, professor, partner na BTA Esports & Gaming Content, especialista em marketing e relações públicas e conselheiro deliberativo PREVI-GM

 

 

[1] https://www.fao.org/brasil/noticias/detail-events/en/c/1741586/, acesso em 29 de março de 2026.
[2] https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf, páginas: 40-42 e tabelas, acesso em 29 de março de 2026.

 

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