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COP30: Desafios ou frustração?

Por Lívio Giosa

As expectativas para a COP30 no Brasil eram enormes.

Insufladas pelo Governo Federal e pela mídia, a “COP da Floresta” poderia ser um ponto de inflexão para a decisão das nações traçarem metas recorrentes para os desafios climáticos sob o olhar especifico da redução das emissões  dos GEE (Gases de Efeito estufa).

Afinal de contas, estar a um passo da Floresta Amazônica era um sinal evidente para uma compreensão dos dirigentes sobre a importância do “pulmão verde mundial” e uma reflexão necessária sobre regeneração e preservação das florestas no mundo.

Eu estive lá!

Participei de um debate e apresentação do “Programa Município Sustentável”, de minha autoria, em reunião sobre Políticas Públicas Sustentáveis.

Acompanhei várias outras reuniões e discussões na Blue Zone (zona reservada para os representantes das nações e seus stands) e visitei a Green Zone (espaço reservado para Entidades, ONG’s e Instituições).

Alguns pontos são importantes aqui identificar:

  1. A Cidade de Belém se preparou para receber a COP30.

Foram muitos investimentos para embelezamento da Cidade, das áreas turísticas, logística, hotelaria e do próprio espaço onde a COP30 foi realizada.

2. A população de Belém abraçou a COP30.

As pessoas da cidade estavam radiantes recebendo os visitantes de toda parte do mundo.

Motoristas falando inglês, cardápios em vários idiomas, voluntários estudantes na área da COP deram um show de atenção e cuidado.

3. E o calor?

Ah, esse estava presente 24 horas.

Um calor abafado que o povo de lá está mais do que acostumado, mas que os gringos sentiram na pele de forma impactante.

Além da chuva é claro, diária, e das mangas que insistem ainda em cair pelo chão (e nos carros) pelas principais ruas da cidade.

E, no meio disso tudo, tinha uma COP acontecendo espontaneamente.

A cada dia, centenas de reuniões com temáticas variadas, sendo discutidas nas salas individuais ou nos stands dos países com espaço para estes fóruns.

O resultado final, no entanto, foi frustrante no contexto geral, com algumas boas iniciativas e desafios futuros (se é que poderemos esperar!)

Este grande “happening ambiental” demonstra que consensos são praticamente impossíveis (até pelo modelo orgânico e de governança estabelecidos), que muitas nações e dirigentes não têm “maturidade socioambiental” para enxergar o que é bom para a sociedade mundial e que, a falta de cobrança e comprometimento para cumprir as metas, as colocam no modo “não tenho que dar satisfação”, pois não há sansões previstas.

Assim sendo, vale a pena lembrar que:

  1. A cúpula dos líderes das nações aprovou o “Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Um mecanismo financeiro para trazer recursos públicos e privados para os países que tenham áreas prejudicadas. A meta era atingir U$ 25 bilhões. Foram arrecadados U$ 6,5 bilhões…
  2. Na COP de Belém, o Acordo de Paris completa dez anos. Ele definiu as metas de emissão de cada país para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). Neste ano, as nações signatárias do acordo devem revisar suas metas e submeter novas ambições. Até o momento, no entanto, apenas 67 países submeteram suas novas metas, de um total de 196 signatários do Acordo de Paris.

Lembrando que as metas propostas pelo Brasil e revisados no último encontro foram: segundo os dados básicos  das metas de redução mundiais (ano base 2005), apresentados na COP21 e ratificadas pela COP28 (Dubai/2023), o Brasil amplia entre 59% e 67% a meta brasileira de redução de emissões até 2025.

  1. O “Mapa do caminho” não foi incluído no Relatório Final da Cúpula das Nações Unidas (COP30)!

Esta era a jornada que as nações percorreriam para o fim do uso dos combustíveis fósseis e, portanto, assegurando uma queda gigantesca de emissão de CO2 e, com isso, um “freio de arrumação” contra o aumento da temperatura da Terra (para deixar de ultrapassar 1,5º).

  1. Portanto, nem transição energética e nem a questão do desmatamento tiveram consenso necessário para serem incluídos no texto terminativo apresentado ao final da COP30.
  2. Houve, no entanto, um avanço no reconhecimento do papel dos povos indígenas e na proteção dos seus direitos. Eles foram incluídos em três textos decisórios, apontados como fundamentais para a mitigação das mudanças climáticas.
  3. Outro tema que avançou, embora aquém das expectativas, foi a adaptação climática. A COP30 definiu uma lista de indicadores que serão utilizados para medir a maneira como as nações têm se adaptado à mudança do clima. Os parâmetros incluem temas que vão de saúde à cultura. A lista inicial trazia 100 indicadores, que foram reduzidos para cerca de 60, o que desagradou parte dos países. O tema continuará sendo discutido no ano que vem nas reuniões preparatórias para a COP31.
  4. Até o final da COP, 122 países apresentaram suas metas de redução de emissões dos gases de efeito estufa, entre 198 partes que compõem o Acordo de Paris.

Portanto, depois do incêndio no stand da África e de muitos leques distribuídos pelo stand de Portugal, da falta de água gelada em toda a extensão da Blue Zone e da Green Zone, além dos preços altos de alimentação no espaço da COP30, a conclusão é que:

  1. Os indígenas apareceram, deram seu recado, foram ouvidos e reconhecidos;
  2. Há muito ainda a se fazer para que haja consenso entre as partes para cada país abrir mão e reduzir um pouco do seu modelo de emissão em favor do coletivo populacional no mundo;
  3. Houve trocas de experiências e encontros importantes para que os especialistas levem seus estudos e, colaborativamente, cocriem propostas de interesse geral do ponto de vista climático;
  4. As festas noturnas em Belém estavam de arrasar, além da culinária, artesanato e folclore local…

Assim sendo, só nos resta fazermos a nossa parte sustentável, rezar para Santa Bárbara (a Santa protetora contra tempestades, dos raios e trovões), sensibilizar os jovens cada vez mais para se tornarem cidadãos e consumidores sustentáveis, acelerar as práticas ESG e de sustentabilidade nas empresas, governos e legisladores e nos prepararmos a todo instante para minimizarmos impactos dos efeitos climáticos extremos.

E, até a COP31 na Turquia!

 

Lívio Giosa – Coordenador Geral do IRES – Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental, Diretor de Políticas Ambientais da CEBRASSE- Central Brasileira do Setor de Serviços; Diretor de Sustentabilidade da ANEFAC – Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade; Presidente do Conselho do CNDA- Conselho Nacional de Defesa Ambiental.

 

 

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