HomeENTREVISTADo Concreto à Inteligência Estrutural: O Futuro da Construção Civil

Do Concreto à Inteligência Estrutural: O Futuro da Construção Civil

Nily Geller entrevista Cláudio Conz

Entrevista sobre Materiais de Construção do Presidente Executivo da FBM Cláudio Conz ao Conselheiro da ADVB Nily Geller

Quando olhamos uma construção, qualquer que seja, antiga ou moderna, não pensamos com quais materiais ela foi construída nem a tecnologia que permitiu que ela permanecesse de pé.

Desde os tempos pré-históricos os humanos procuravam refúgio contra as intempéries, os animais e outros inimigos humanos.

Das cavernas às primeiras habitações de pedra, passando pelas extraordinárias catedrais até os arranha-céus de hoje, os materiais para sua construção progrediram sobremaneira.

Para nos contar como foi esse desenvolvimento, o que temos hoje disponível e o que se espera para o futuro, vamos entrevistar Cláudio Conz, um grande mestre na matéria.

Vamos a entrevista:

  • Quais foram os principais pontos de inflexão que permitiram o progresso na utilização de materiais inéditos na construção?

Quatro grandes saltos tecnológicos

O avanço foi impulsionado por quatro grandes saltos tecnológicos:

Concreto Armado: A união da resistência do concreto com o aço permitiu superar as limitações da alvenaria estrutural.
Polímeros: A introdução de plásticos e resinas trouxe novas capacidades de impermeabilização e durabilidade.
Nanotecnologia e Compósitos: A capacidade de manipular a estrutura molecular permitiu criar materiais de alta performance.
Digitalização: A transição do material como insumo para o material como “tinta” de impressão robótica e componentes modulares.

 

  • O que vem antes, a concepção de um projeto arquitetônico sem que ainda haja materiais adequados para sua construção ou a invenção de materiais que estimulam projetos para o seu uso?

O fluxo é uma via de mão dupla que mudou de peso

Historicamente, a audácia arquitetônica impulsionava a invenção de materiais.
Atualmente: A ciência dos materiais impõe possibilidades, forçando os projetistas a repensar as formas. Hoje, a materialidade precede a forma.

 

  • Hoje existe um conjunto de materiais de construção que permite edificações gigantescas como prédios de um quilômetro de altura, pontes gigantescas, usinas hidroelétricas e outras obras monumentais. Que características são esperadas para os materiais no futuro?

Espera-se que os materiais evoluam para serem “ativos” e resilientes

Autocura: Materiais que selam fissuras automaticamente.
Inteligência Estrutural: Sensores integrados que monitoram a integridade física em tempo real.
Sustentabilidade Extrema: Aglomerantes de baixo carbono.
Adaptabilidade: Materiais que alteram suas propriedades térmicas conforme o ambiente.

 

  • Que novas características são esperadas para os materiais de acabamento, como tintas, torneiras, fechaduras e outras?

 O foco migra da estética para a funcionalidade ativa

Purificação e Higiene: Superfícies que eliminam vírus e degradam poluentes.
Conectividade: Metais e componentes integrados a sistemas inteligentes de controle de fluxo de água.
Automanutenção: Revestimentos que recuperam o aspecto original através de produtos específicos.

 

  • Notícias recorrentes da China: Construído prédio de 10 andares em 28 horas e 45 minutos. O método usado foi a montagem de módulos como Lego. Será que o material das edificações nas obras passará de forma massiva no futuro próximo de cimento, areia, tijolos e ferro para módulos pré-moldados? Isso poderá gerar desemprego no setor?

Haverá uma transformação radical de competências

A construção industrializada é um caminho sem volta para novas edificações devido à precisão e velocidade. Esta obra levou 6 meses para ser produzida na fábrica de pré-moldados. Contudo, não haverá desemprego massivo, mas uma transformação radical de competências:
Construção Nova: Focada na montagem industrializada.
Mercado de Reforma: O Brasil possui 90 milhões de moradias que dependem do profissional de reforma (pedreiro) para manutenções constantes. Este setor permanecerá artesanal e vital, exigindo um novo perfil profissional: o especialista em reparos, instalações rápidas e sistemas integrados.

 

  • Cada vez mais os edifícios têm sido oferecidos com itens de sustentabilidade como uso racional de água e eficiência energética. Os materiais usados na sua construção estão acompanhando essa preocupação com a sustentabilidade?

Sim, a indústria segue a lógica da Economia Circular

Busca por insumos com maior conteúdo reciclado.
Materiais com menor energia embutida (transporte e produção).
Foco no “design para desmontagem”, permitindo que edificações futuras sejam desmontadas, não demolidas, facilitando o reaproveitamento de componentes.

 

  • Qual é o país mais adiantado na modernização dos materiais de construção? O Brasil está atualizado? Se não, o que falta?

O Brasil tem competência em pesquisa, mas sofre com a lentidão na adoção em massa


Países nórdicos (madeira), Japão (modularização) e China (escala) lideram.
Brasil: Possui alta capacidade técnica em pesquisa, mas sofre com a lentidão na adoção em massa.
O que falta: Incentivos fiscais, revisão das normas técnicas que ainda travam inovações e maior escala industrial para tornar as novas tecnologias competitivas.

 

  • Como preparar os projetistas e a mão de obra para acompanhar o progresso do desenvolvimento dos materiais de construção? Nossas faculdades e escolas técnicas já fazem isso?

O setor corporativo deve criar certificações para o novo perfil do profissional

As faculdades e escolas técnicas ainda estão presas a modelos tradicionais, produzindo um gap educacional e gerando a necessidade de aprendizado contínuo. O setor corporativo deve liderar a criação de certificações que reconheçam o novo perfil do profissional, unindo a técnica clássica de reforma com o uso de novas ferramentas e sistemas digitais.

 

  • Qual é o papel da IA na modernização dos materiais de construção e na tecnologia de sua aplicação?

 A IA vai atuar como o motor de aceleração da modernização

Ela otimiza o uso de materiais para garantir performance máxima com o menor impacto ambiental.
Acelera o desenvolvimento de novas fórmulas químicas como a de concretos avançados.
Vai controlar a logística de módulos pré-fabricados e a manutenção preditiva, transformando edifícios em sistemas inteligentes.

Porém no final, sempre será uma relação entre pessoas que tornou e torna esse segmento da construção tão importante

 

 

Cláudio Conz é Presidente da FBM – Fundação Brasileira de Marketing, Secretário Nacional da Frente Parlamentar do FMC – Comércio de Material de Construção e Conselheiro certificado pelo IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Foi membro do Conselho Curador do FGTS. Sua Formação Acadêmica tem passagens pela FAAP com MBA em Varejo de Material de Construção e Pós-graduação em Gestão Comercial, na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, como também na participação em vários cursos na França, Portugal e Estados Unidos.

 

Nily Geller é Engenheiro Eletrônico formado pela PUC RJ com larga experiência no setor de telecomunicações no Brasil e no Exterior, atualmente VP da FBM – Fundação Brasileira de Marketing, Conselheiro da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, Diretor da Área de Telecom da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e Sócio-Diretor da Janar Engenharia.

 

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. NGeller o repórter . Sempre garimpando assuntos interessantes e pessoas competentes para comentar os temas . Parabéns.

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