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Um Novo Congresso Confirma as Esperanças do Povo

Por Roberto Vertamatti, vp de Economia da ADVB

A nova composição do Congresso Nacional abre uma expectativa importante para o futuro do Brasil. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal terão, a partir de 2027, uma presença maior de parlamentares identificados com posições mais transparentes, maior preocupação com a família e a vida e, principalmente, com o compromisso de criar condições para que os mais pobres possam superar a situação em que hoje se encontram, além, evidentemente, de combater a corrupção endêmica que graça em nosso país. Esse novo equilíbrio de forças poderá produzir mudanças relevantes na agenda política, econômica e institucional do País.

É importante, entretanto, não confundir uma nova composição parlamentar com mudanças automáticas. O Congresso é plural, e muitas decisões dependerão da capacidade de diálogo, negociação e construção de maiorias. Ainda assim, o resultado das urnas sinaliza que a maioria significativa da sociedade deseja mudanças e espera respostas concretas para problemas que se acumulam há anos.

Entre as principais expectativas está uma maior responsabilidade na condução das contas públicas. O crescimento das despesas, o aumento da dívida e a dificuldade de equilibrar o orçamento representam obstáculos para o desenvolvimento sustentável. O novo Congresso poderá dar maior prioridade ao controle dos gastos, à eficiência da administração pública e à busca de um Estado que entregue mais resultados com menos desperdício.

Outra possível mudança está na revisão do tamanho e da eficiência do Estado. Isso não significa simplesmente diminuir o Estado, mas fazê-lo funcionar melhor. A sociedade espera serviços públicos de qualidade, redução da burocracia, combate ao desperdício e maior transparência na utilização dos recursos arrecadados dos cidadãos.

Também poderá ganhar força uma agenda realmente de simplificação tributária e redução do peso dos impostos sobre empresas e famílias. O Brasil ainda possui um sistema tributário altamente complexo, que dificulta a atividade produtiva, aumenta custos e reduz a competitividade das empresas. O desafio será avançar para um sistema mais simples, previsível e capaz de estimular investimentos, produção e geração de empregos.

A segurança pública deverá ocupar espaço ainda maior na agenda nacional. O cidadão de bem quer viver com segurança, trabalhar, estudar e circular sem medo. Poderão ganhar força propostas relacionadas ao combate ao crime organizado, fortalecimento das forças de segurança, aperfeiçoamento das leis, integração entre União, Estados e municípios e maior proteção às vítimas.

Outro tema que poderá receber atenção é o ambiente de negócios. O Brasil precisa criar condições para que o empreendedorismo seja estimulado e para que empresas possam investir, produzir e contratar com maior segurança jurídica. Menos burocracia, regras mais estáveis, redução de obstáculos e estímulo à inovação podem contribuir para aumentar a produtividade e a competitividade brasileira.

Na área econômica, poderá haver maior pressão por uma política que privilegie crescimento com responsabilidade. O crescimento sustentável depende de investimentos, produtividade, infraestrutura, educação, qualificação profissional, segurança jurídica e estabilidade macroeconômica.

A educação também deverá permanecer no centro das discussões. O Brasil precisa melhorar a qualidade do ensino básico, combater a evasão escolar, valorizar a formação profissional e aproximar a educação das necessidades de um mercado de trabalho que está passando por profundas transformações tecnológicas. A expansão da inteligência artificial torna essa necessidade ainda mais urgente, sem jamais esquecer que a primeira educação é responsabilidade da família, princípio que precisa ser sempre respeitado.

Da mesma forma, a saúde pública continuará exigindo atenção. Mais recursos são importantes, mas também é necessário melhorar a gestão, prevenção, atendimento e utilização dos recursos existentes. O cidadão precisa perceber que o dinheiro público se transforma efetivamente em serviços. A inteligência artificial também poderá contribuir significativamente para melhorar a gestão, o diagnóstico, a prevenção e a eficiência dos serviços de saúde.

Outra expectativa diz respeito à infraestrutura nacional. O Brasil necessita de investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento, energia e conectividade. A ampliação dos investimentos públicos e privados poderá aumentar a produtividade, reduzir custos logísticos e criar empregos.

A agricultura e o agronegócio, fundamentais para a economia brasileira, também poderão receber uma agenda mais voltada à competitividade, infraestrutura, crédito, tecnologia e abertura de mercados. Ao mesmo tempo, o País precisará conciliar produção, preservação ambiental e segurança jurídica.

No campo institucional, uma das maiores expectativas será o fortalecimento da independência e do equilíbrio entre os Poderes. Câmara, Senado, Executivo e Judiciário possuem responsabilidades diferentes dentro da democracia. O novo Congresso poderá exercer de maneira mais efetiva suas funções de legislar, fiscalizar e controlar os atos do Executivo, sem transformar a relação entre os Poderes em conflito permanente.

Nesse sentido, também poderá crescer a discussão sobre transparência, controle dos gastos públicos e aperfeiçoamento das instituições. A população quer saber como seus impostos são utilizados e espera que denúncias de irregularidades sejam investigadas com independência e que eventuais responsáveis sejam efetivamente responsabilizados dentro do devido processo legal.

Também deverá ganhar força a cobrança por maior rigor no combate à corrupção e à impunidade. O dinheiro público pertence à sociedade e precisa ser tratado com absoluta responsabilidade. Investigações devem ser independentes, denúncias precisam ser apuradas e, comprovadas as irregularidades, os responsáveis devem responder dentro da lei.

Outra possível frente de mudança será a discussão sobre liberdade individual, segurança jurídica e direitos fundamentais. O desafio será encontrar um equilíbrio entre liberdade e responsabilidade, preservando as garantias constitucionais e, ao mesmo tempo, assegurando que as leis sejam efetivamente cumpridas.

O novo Congresso também poderá contribuir para uma política externa mais voltada aos interesses econômicos e estratégicos do Brasil, buscando ampliar mercados, atrair investimentos e fortalecer a posição brasileira internacionalmente, independentemente de preferências ideológicas.

Há, portanto, uma grande expectativa depositada sobre a nova composição do Congresso. Mas é preciso compreender que a mudança desejada pela sociedade não acontecerá apenas porque determinado grupo político passou a ter mais cadeiras. Será necessário transformar votos em decisões, propostas em leis e leis em resultados concretos.

O Brasil não precisa de mais uma disputa permanente entre “nós” e “eles”. Precisa de instituições funcionando, Poderes respeitando seus limites constitucionais, responsabilidade com o dinheiro público e políticas capazes de produzir crescimento, emprego, segurança e oportunidades.

A nova composição da Câmara e do Senado poderá representar uma oportunidade para essa mudança. A esperança está em que a nova maioria não seja utilizada apenas para disputar poder, mas para assumir responsabilidade.

O Brasil tem enormes potencialidades. Tem território, recursos naturais, capacidade empresarial, agricultura competitiva, mercado consumidor, universidades, tecnologia e uma população que deseja prosperar. O que muitas vezes falta é transformar essas vantagens em um projeto consistente de desenvolvimento.

O novo Congresso terá diante de si uma escolha histórica: continuar reproduzindo as disputas políticas que dividem o País ou construir uma agenda capaz de enfrentar os problemas estruturais que impedem o Brasil de avançar.

A sociedade já fez a sua escolha nas urnas. Agora cabe aos representantes eleitos demonstrar que compreenderam o recado. E, é importante ressaltar: a eleição é feita de duas partes — uma é votar; a outra, acompanhar diuturnamente o que nossos representantes — ou nossos empregados — estão fazendo no Congresso.

Mais do que uma mudança de composição política, o Brasil precisa de uma mudança de atitude: menos conflito, menos desperdício, menos burocracia e mais responsabilidade, trabalho, segurança, liberdade, desenvolvimento e respeito ao cidadão.

É essa a esperança que a nova configuração do Congresso poderá representar. E tenham sempre em mente: quanto menor e mais eficiente for o governo, maiores serão a liberdade, a responsabilidade e o bem-estar da sociedade.

 

 

 

Roberto Vertamatti é Vice-presidente de Economia da ADVB, Conselheiro da ANEFAC, PhD em Administração pela FCU – Florida Christian University

 

 

 

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