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Claudiney Fullman – O poder da educação para transformar vidas e edificar líderes

“O ambiente e a realidade mudaram, mas muitos ainda não perceberam esse fato”

Professor, consultor e palestrante, Claudiney Fullman, acredita no poder da educação para transformar vidas e edificar líderes. Engenheiro Industrial formado pela FEI, pós-graduado no BTE de Paris, especializado na Europa, nos Estados Unidos e no Japão em Qualidade, Produtividade e Desenvolvimento de Executivos, PhD pela Florida Christian University em Business Administration, Conselheiro de Administração pelo IBGC.

“Fui abençoado por ter nascido na Mooca em um berço pobre de pais operários e semianalfabetos, mas trabalhadores e honestos em 29 de junho de 1940”.

Claudiney, teve uma infância humilde, mas abençoado e feliz, como ele mesmo diz, “fui muito amado e paparicado por sete tios. Brinquei na rua com bolinha de gude, pião, pipa, pega-pega, furei um pé com prego e caí em um poço. Com origens europeias recebi uma educação de base dedicada à integridade e ao trabalho. Loirinho de olhos verdes era bem quisto por uma moça rica que me levava a vários passeios e me ensinava bons modos. Devido ao meu bom comportamento fui bem aceito pelas famílias abastadas de meus amiguinhos. Aprendi a me comportar como “gente fina” e comer com 12 talheres. Deus sempre foi muito generoso comigo!”

“…vendi cana na feira, caqui na rua e engraxava sapatos na porta de um cineminha do bairro”.

Um de seus maiores desafios começou quando, junto com a sua família, se mudaram para Vila Formosa, na zona leste de São Paulo. “Era no meio do mato, em rua de terra e sem luz; a casa vizinha mais próxima distava mais de quinhentos metros. Os coleguinhas da região não tinham a mesma cultura que tive, mas as maiores dificuldades se apresentaram quando meu pai ficou desempregado e minha mãe mantinha a casa como costureira. Para ajudar um pouco, vendi cana na feira, caqui na rua e engraxava sapatos na porta de um cineminha do bairro. Como ajudava um tio a consertar rádios, fiz um curso de radio técnico por correspondência e aprendi um pouco sobre eletricidade, assim, consertava ferros elétricos de passar roupas para a vizinhança e ganhava um dinheirinho.  Comecei a trabalhar com 9 anos e tive meu primeiro registro em carteira com 12 anos, com autorização de um juiz, como auxiliar de escritório o “office boy” da época. Com meu primeiro salário comprei um liquidificador para minha mãe”, conta Claudiney.

“Era um bom desafio ir para escola caminhando no barro, pegando ônibus, às vezes caminhão e bonde até chegar ao Braz, no colégio Sarmiento. Naquela época era comum um jovem trabalhar para ajudar no sustento da família. Meu pai, no entanto, quando completei 15 anos, me disse: “meu filho, não quero que você seja um apertador de parafusos como eu. Você precisa continuar estudando, mas como não posso pagar-lhe boas escolas, vamos fazer um trato: Não precisa trazer dinheiro para casa e você se vira para estudar”, completa Claudiney.

Outro momento que Claudiney, se sentiu desafiado, foi quando ele teve que ir para Barbacena como cadete da Aeronáutica. Voltou à São Paulo dois anos depois e começou a trabalhar como operador de som na Rádio Nacional enquanto fazia cursinho para faculdade. Os cursos universitários eram apenas durante o dia, então passou a trabalhar à noite em televisão como câmera-men. Fez engenharia na FEI, estagiou em boas empresas como Arno, Alcan, Brown Boveri e Tèlèmècanique e arranjava tempo para praticar karatê e jogar handebol e participar dos movimentos estudantis de 64.

“Mesmo como estagiário deixei um bom legado fazendo métodos de trabalhos para cegos, procedimentos para manutenção elétrica, automatismo para corte de chapa siliciosa acionado por fotocélula e mudança de local de uma fábrica”.

“Quando me formei recebi uma bolsa de estudos do Charles De Gaule e fui morar em Paris. Estagiei na matriz da Tèlèmècanique, fiz cursos de mestrado e extensões universitárias, virei rato de museus e tive uma filha que me desafiou a ser pai, avó, babá, comadre… Voltando do trabalho ou faculdade ia para o hospital visitar esposa e filha, recolhia a roupa suja, ia para casa, lavava, deixava secar, estudava um pouco, levantava mais cedo para passar as roupas e leva-las ao hospital. Não havia fralda descartável. Voltava para a fábrica ou faculdade e repetia a rotina. Ela foi importada com seis meses. Para completar, fui agitador no Maio de 68. Aprendi muito com tudo e com todos”.

Perguntado se algum dia ele pensou em desistir, Claudiney responde, “pelo contrário, queria aproveitar ao máximo, absorver mais, crescer como profissional”.

Voltando ao Brasil, foi lecionar na faculdade de onde saiu, trazendo inovações para a primeira turma de Engenharia Têxtil, quando escreveu seu primeiro livro- O Estudo do Trabalho. Continuou na área acadêmica como professor de cursos noturnos de graduação e pós na FEI, na MAUÁ, na FGV, na FACCAMP e HSM.

Em paralelo, teve uma carreia de executivo: Gerente Industrial da Tèlèmècanique, onde fez expansão e transferência de local da fábrica; Gerente de Engenharia Industrial na Villares – Elevadores Atlas, onde se desenvolveu o motor de tração do Metrô e as escadas rolantes ao tempo; Gerente de Sistemas de Movimento para implantação da primeira linha, Linha Azul, na Companhia do Metrô de São Paulo; Diretor de Expansões implantando nova Mecânica, Caldeiraria, Siderúrgica e Diretor de Coordenação de Projetos de Bens de Capital e Plano do Álcool na Dedini; Vice Presidente e Gerente Geral da divisão de Equipamentos Pesados da General Electric em Campinas, onde, de maneira criativa fizeram iates de 95 pés com especial sistema logístico para leva-los até o mar.

“Durante esse período, fertilizava a prática com conceitos teóricos e levava a prática para o ensino; deixei como legado a formação de inúmeros universitários e capacitação para o trabalho de cegos, surdos-mudos e paraplégicos”.

Uma pessoa marcante que contribuiu para o seu sucesso?

“Além de meu pai que me deu impulso para estudar, minha mãe que me mostrou o poder da oração, meu avô materno de me orientou a ser honesto, meu avô paterno que me deu integridade – Fullmann quer dizer homem íntegro, o Capitão Dário da FAB que aprimorou meu caráter e patriotismo, Monsieur Jean Crespin que me apontou para a vida internacional, Dovilio Ometto que me abriu horizontes para a indústria pesada e Jack Welch – meu guru – com quem vivenciei administração com desenvolvimento de pessoas!”

Sempre teve um plano de metas profissional?

“Segui um lema: “sempre podemos melhorar”! Tive muitos e grandes desafios, nada me foi fácil, mas Deus sempre me deu forças e diretrizes para estabelecer metas para cada situação e superá-las. Quanto mais trabalhei, mais sorte eu tive. Em várias de minhas atividades formulei estratégias, defini metas, estabeleci planos de ação e monitoramento para alcança-las. Posso dizer que tive uma carreira acelerada na vertical: Foram 16 anos entre quando saí da faculdade e cheguei a vice-presidente de uma multinacional.”

O que  te motiva a continuar estudando?

“Passei por muitas mudanças tecnológicas até chegarmos à revolução 4.0. Entendo que um diploma tem prazo de validade – quem não se atualiza constantemente fica obsoleto. Além de tudo, gosto de ler e de estudar, manter a mente ocupada. Cabeça vazia é a oficina do diabo!”

“A vida nos ensina e para ensinar outros é necessário se renovar e estudar sempre”.

“Hoje, meu propósito de vida como consultor, palestrante e mentor é o de compartilhar todos os conhecimentos e experiência de vida que Deus me proporcionou para orientar quem quiser se aprimorar e progredir.”

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