HomeOPINIÃOA TOGA É LONGA, MAS A SAIA É JUSTA.

A TOGA É LONGA, MAS A SAIA É JUSTA.

Por Pedro Luiz Dias - Vice-presidente e Diretor Financeiro da ADVB

É uma figura de linguagem. Provocativa, sem dúvida. Mas talvez traduza bem a inquietação provocada pela atual celeuma jurídica brasileira.

Justamente de onde a sociedade espera equilíbrio, serenidade e a defesa do bom Direito, à luz da Constituição Federal, surgem embates que ultrapassam os tribunais, ocupam o debate público e alcançam repercussão internacional.

E há uma expressão que se tornou recorrente nos fóruns empresariais: insegurança jurídica.

Isso deveria preocupar a todos.

Segurança jurídica também é confiança nas instituições.

Segurança jurídica não é assunto exclusivo de advogados ou magistrados. É fundamento para investimentos, geração de empregos, decisões empresariais e, sobretudo, para a confiança do cidadão nas instituições.

Quando divergências entre autoridades e integrantes das mais altas instâncias da República transbordam para a arena pública, instala-se um perigoso hiato de confiança.

A situação torna-se ainda mais delicada às vésperas de um período eleitoral decisivo.

O Brasil já atravessou crises políticas, econômicas e sociais de enorme gravidade. Mas o cenário que hoje se desenha na Praça dos Três Poderes produz uma perplexidade que não pode ser simplesmente ignorada.

O ir e vir de autoridades, encontros, declarações, controvérsias e conflitos públicos podem transmitir uma percepção de excessiva proximidade entre Poderes justamente quando o país mais necessita enxergar independência, equilíbrio e previsibilidade institucional.

Não basta que os Poderes sejam independentes. É indispensável que a sociedade reconheça essa independência.

A Constituição estabelece Poderes independentes e harmônicos entre si. Independência sem equilíbrio produz conflito. Harmonia sem independência pode produzir desconfiança.

Democracia exige as duas coisas.

Não se trata de escolher ministros, partidos, governos ou candidatos. Trata-se de algo muito maior: preservar a Constituição, a segurança jurídica e a credibilidade das instituições brasileiras.

Em momentos de tensão, autoridades precisam falar menos pelas circunstâncias e mais pelas instituições que representam.

Porque confiança institucional leva décadas para ser construída – e pode ser abalada em poucos episódios.

A toga é longa. Mas a saia é justa.

E a Constituição deve continuar sendo a medida de todas as coisas na República.

 

Pedro Luiz Dias é vice-presidente e diretor financeiro da ADVB, teólogo, professor, partner na BTA Esports & Gaming Content, especialista em marketing e relações públicas e ex-membro do Conselho Deliberativo da PREVI-GM.

 

(Texto do autor; revisão de IAmada Hikari; imagem ChatGPT)

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